sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A "poda mais radical" e os "desocupados"


Todos acompanharam nos últimos dias a polêmica centralizada em torno da poda das algarobas situadas na Rua Otávio Lamartine, no centro de Acari. Ao longo da semana, críticas (construtivas e destrutivas), elogios, observações e demais comentários ganharam espaço neste blog e em outros, nas redes sociais (Facebook e Twitter, principalmente) e nas ruas da cidade. Em suma, todos os acarienses ou não tiveram a oportunidade de externar suas visões acerca do assunto numa manifestação democrática, onde até mesmo o silêncio escolhido por outros foi válido para a compreensão da relevância do problema.

Em seu programa de rádio veiculado hoje (27) na FM Gargalheiras, o prefeito de Acari, Antônio Carlos (Tom) também teceu comentários sobre o assunto, algo que ele próprio classificou como "poda mais radical" realizada naquelas árvores. Após a justificativa de que todo o serviço foi executado da maneira correta, ele disparou que os insatisfeitos eram, na verdade, "desocupados".

Relevante ou não, a "poda mais radical" – como classificou o próprio prefeito – daquelas algarobas marcou o início de um debate proveitoso e de extrema importância sobre a questão ambiental na cidade de Acari. Debate esse que possibilitou inclusive a chance de revermos nossos argumentos em alguns aspectos, de aprendermos com os outros e de contribuirmos. Nesse sentido, o argumento utilizado de que tudo isso refletia uma "indignação seletiva" – palavras do amigo Júnior de Leca – foi valoroso. A seleção como algo inerente ao ser humano em todos os aspectos reflete nossa limitação e ajuda a compreendermos a superficialidade dos posicionamentos.

Daí, diante de tudo que ouvi e li a respeito, concluo: foi relevante sim todo esse episódio, pois foi a partir dele, um acontecimento micro, que uma abordagem macro foi iniciada, inclusive com sugestões de audiência pública, de políticas públicas a serem implementadas pela gestão municipal no incentivo às causas ambientais e por aí vai.

Até a algaroba em si como uma árvore ideal ou não para a nossa região – e a unanimidade provou que realmente não é – foi questionada. Tudo num ambiente pacífico proporcionado pelo meio virtual da internet.

No entanto, a atitude infeliz do prefeito de tachar de "desocupados" aqueles que iniciaram toda essa abordagem contrasta com a boa intenção alegada pelo próprio de quando se decidiu fazer a "poda mais radical" naquelas árvores, apesar de nenhuma fiação passar sobre elas. Isso porque a expressão se estende a todos os insatisfeitos, inclusive pessoas aposentadas que utilizam aquele espaço – como se eles, após décadas de serviços prestados ao país, não tivessem direito ao ócio.

A polêmica das algarobas chega ao fim, ainda bem. Mas o que deve ficar são os pontos positivos extraídos de toda essa discussão, em que cada pessoa – inclusive eu – pôde aprender algo a mais.

E ainda que demore mais um pouco, mais cedo ou mais tarde a sombra voltará para que todos – "desocupados" ou não – possam celebrar a resposta da natureza às mutilações feitas contra ela.