sábado, 12 de março de 2011

Marcelo Manduca concede entrevista exclusiva ao blog; confira íntegra

O blog entrevistou na tarde da última quarta-feira (09) o Presidente do Partido dos Trabalhadores de Acari/RN, Marcelo Manduca. Na oportunidade, ele foi interrogado sobre a administração municipal atual, a atuação dos vereadores acarienses, a municipalização do Hospital Regional Dr. Odilon Guedes da Silva e a atual posição do PT no plano local com vistas às eleições de 2012. Confira detalhes abaixo com trechos da entrevista:


Administração Municipal

"Uma gestão sem criatividade". Foi assim que Marcelo melhor definiu a atual administração do prefeito Antônio Carlos, o Tom (PR). Para ele, a cidade vive uma "mesmice", onde o poder executivo desempenha apenas o papel de "cumpridor de tarefas", sem almejar inovação.

Sobre a perda do título de "Cidade Mais Limpa do Brasil", o petista atribuiu à falta de políticas públicas para a área. "Nós não temos coleta seletiva, nós não temos uma política de resíduos sólidos, nós não temos uma política de gestão do espaço urbano", frisou.

Poder Legislativo

"O debate da sociedade é a principal função do parlamento", destacou. Tratando do poder legislativo, Marcelo não poupou críticas à postura da população em escolher seus representantes, reafirmando a tese de que "os políticos são o reflexo do povo".

"Ao dizermos que temos políticos corruptos no parlamento nós estamos dizendo o seguinte: a população prefere votar em políticos corruptos, a população prefere votar em pessoas que compram voto. Nós tivemos um exemplo recentemente aqui em Acari. Quem são os políticos que foram mais votados em Acari [na eleição estadual]? Alguns deles não eram nem conhecidos na cidade, mas a população preferiu vender seu voto, preferiu seguir a cabeça do seu líder político e votar em políticos que ela nem conhecia. Então nós devemos observar, o parlamento é a cara do seu povo".

Sobre o desempenho dos vereadores acarienses, Marcelo foi além: "A câmara de vereadores segue o mesmo rumo da gestão do município, do executivo. Nós tivemos algumas inovações, claro [...] mas ao mesmo tempo a câmara cumpre o seu papel apenas de obrigação. Eu tenho obrigação de fazer indicações, eu tenho obrigação de fazer requerimentos, então eu faço; eu tenho obrigação de aprovar ou desaprovar os projetos de lei encaminhados pelo executivo, então eu faço, mas não debate o cerne do município". E exemplificou: "Nós necessitamos sim ou não de uma área destinada a um parque industrial. Tantas pessoas rogam, principalmente da oposição, que Acari não tem indústria, então, como é, vamos ter indústria sem ter a definição de um parque industrial?"

Municipalização do Hospital Regional de Acari

"Eu sou a favor da implantação plena do Sistema Único de Saúde [SUS] e dentro da própria implantação do pleno do sistema, na lei 8080 fala da municipalização do serviço [...] Infelizmente nós temos um hospital que foi criado politicamente, ele não foi criado para atender ao Sistema Único de Saúde".

"Os municípios têm que atender prioritariamente a atenção básica, trabalhar na prevenção para que nós não tenhamos essa necessidade de ter Hospitais Regionais para oferecer essa atenção básica. Os Hospitais Regionais têm a sua função na média e na alta complexidade".

"Nós temos três regiões de saúde aqui no Seridó: uma em Caicó, uma em Currais Novos e uma em Parelhas. Quais são as funções dessas regiões? Exatamente concentrar as altas e médias complexidades. Só que foram pulverizados tantos hospitais por tantos cantos do Seridó politicamente e equivocadamente construídos que nós pagamos tantas estruturas e não conseguimos oferecer a média e a alta complexidade de uma forma adequada. Então, nós temos médicos pulverizados por todo o Rio Grande do Norte, onde falta médico dentro do Walfredo; nós temos profissionais de saúde pulverizados por todo o Rio Grande do Norte, onde falta dentro do Hospital de Currais Novos."

"A defesa dessa municipalização baseada nas suas obrigações foi pauta numa conferência na década de 90 e eu fui a favor. E fui a favor porque entendo o sistema e o sistema não é pra ficar brigando por quem é o político da vez. Porque talvez as mesmas pessoas que estão defendendo hoje que o hospital se mantenha no estado, se amanhã eles estiverem na prefeitura eles defendem a municipalização. Eu não sou assim, não. Eu defendo a municipalização independente de quem esteja no Governo do Estado, se fosse o PT, na época que era uma aliada nossa, que era Wilma de Faria, eu continuava defendendo a municipalização."

Posição do PT no plano local acariense

Diálogo e debate. Essas são as palavras da vez dentro do PT acariense com vistas às próximas eleições municipais. Segundo Marcelo, é o diálogo com os demais partidos com representação na cidade e o debate interno que dirão qual o rumo do PT.

"A obrigação do partido hoje, após deliberação da sua própria diretoria é conversar com todos os partidos que fazem parte da base de apoio ao Governo Dilma e ao mesmo tempo, internamente, discutirmos que cidade nós queremos. Com isso nós imaginamos que tenderemos a ter as melhores situações e resoluções para 2012", afirmou.

Ele citou ainda as possíveis mudanças que podem ser ocasionadas pela reforma política, que já começa a ser discutida no país. "[A reforma política] talvez interfira na eleição proporcional ou talvez interfira na eleição majoritária, e talvez interfira até na não existência da eleição de 2012, que alguns propõem que sejam eleições universais, diretas, todas em 2014. Quer dizer, a reforma política ainda pode alterar muito isso", concluiu.

Ouça a entrevista completa no player abaixo. Se preferir, clique aqui para fazer o download do áudio completo.